sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Doenças que podem ser transmitidas pelo beijo

Carnaval começa hoje e em todo lugar tem propagandas para o uso de camisinha e não dirigir se beber mas quase ninguém se lembra de falar das doenças que podem ser transmitidas pelo beijo. 
E todo mundo sabe que nessa época beijo é o que não falta por isso, esse blog traz hoje para você um post com as doenças que podem ser transmitidas pelo beijo. 

Doenças transmitidas pelo beijo
• Cárie dental – doença infectocontagiosa causada por bactérias como Streptococcus mutans, que provoca a desmineralização do esmalte do dente, ocasionando destruição localizada, progressiva e irreversível. 
• Gengivite – inflamação da gengiva, causada por bactérias (placas), que pode se agravar e atingir o osso alveolar, o qual envolve e mantém firmes os dentes. Tem-se observado o aumento do número de casos de gengivite. É de se crer que, além da ausência de cuidados com a higiene bucal, a prática do “ficar”, muito comum entre os jovens e adultos de hoje, esteja contribuindo para isso.
• Faringite – inflamação da faringe, região situada entre as amígdalas e laringe (onde se forma a voz), pode ser causada por vírus e bactérias.
• Laringite – inflamação aguda ou crônica da laringe (onde estão as cordas vocais), causada por vírus e também bactérias.
• Amigdalite – inflamação das amígdalas, geralmente provocada por uma infecção estreptocócica (bacteriana) ou, com menos frequência, por uma infecção viral.
• Herpes labial – afecção cutânea aguda causada pelo Herpes simplex virus. Normalmente se manifesta quando a imunidade está baixa, situação que acontece com frequência no carnaval onde as pessoas tem dias seguidos de pouco sono, muito desgaste físico e consumo de álcool. 
• Mononucleose – é uma doença de progressão benigna e muito comum; 79% dos casos são causados pelo vírus Epstein-Barr, e 21%, pelo Cytomegalovirus, ambos transmitidos pelo beijo, saliva e troca de outras secreções. Caracteriza-se por febre, aumento do número de monócitos (globulos brancos) no sangue, angina (sensação de angústia, opressão torácica, devido a um fornecimento insuficiente de oxigênio ao coração), aumento do volume do baço, erupções cutâneas, etc.
• Hepatite A e B – infecção inflamatória do fígado. A vacinação pode preveni-la.
• Meningite – inflamação das meninges (conjunto das três membranas que envolvem o eixo cerebroespinhal). Pode ser cerebral, espinhal ou cerebroespinhal, de origem bacteriana, tóxica, parasitária ou secundária a diversas doenças.
• Gripe – doença infecciosa muito contagiosa, quase sempre epidêmica, devido a vários vírus do grupo Myxovirus influenzae.
• Tuberculose – doença infecciosa e contagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch).
• Sífilis – doença sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum (treponema pálido). 

A saliva não transmite o vírus da AIDS, que só é transmitido através do sangue. Se o beijo acontece entre duas pessoas que têm gengivite, ou qualquer outro ferimento na boca, o HIV pode penetrar na corrente sanguínea. 

A Mononucleose, popularmente conhecida como "doença do beijo" tem um aumento de casos logo após o carnaval. Assim como o Herpes e as outras doenças, a Mononucleose se manisfesta, com maior frequência, quando a imunidade está baixa e nessa época do ano isso é muito comum devido aos dias seguidos de pouco sono, ingestão de álcool e desgaste físico. Para minimizar esses efeitos, e tentar não baixar tanto a sua imunidade tente fazer refeições reforçadas, se hidratar e procurar descansar o máximo que conseguir.





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Omeprazol

Ficha Técnica
Nome: Losec
Principio ativo: Omeprazol
Classe terapêutica: Inibidor da bomba de próton
Fabricante: AstraZeneca

Relativamente novo, desenvolvido na década de 80, o Omeprazol é um grande conhecido da população. Quem nunca indicou a um amigo que reclamou de dor no estômago, ou mesmo fez uso desse medicamento?

O omeprazol age na diminuição da quantidade de ácido produzida pelo estômago, sendo indicado para tratar doenças nas quais há excesso de produção desse ácido pelas células parietais do estômago – como gastrites, úlceras e esofagites. Também é indicado no tratamento de úlceras causadas por Helicobacter pylori.
Não é indicado para prevenir dor de estômago!!!

Por ser instável em meios ácidos deve ser ingerido em jejum. Os comprimidos podem ser dispersos em meio copo de água, no caso de dificuldade de deglutição, mas não devem ser esmagados. Mexa até o comprimido se desintegrar por inteiro.
Deve ser administrado com cautela por pacientes diabéticos pois contém açúcar na formulação.

O uso concomitante com diazepam, fenitoína e varfarina aumente o tempo de eliminação desses medicamentos, aumentando assim seu efeito. A monitoração dos pacientes em uso de fenitoína e varfarina deve ser feita rigorosamente pois podem ocorrer ajustes de doses desses medicamentos devido o prolongamento da sua eliminação. 

É vendido sem receita médica nas farmácias e seu consumo vem aumentando a cada ano, o que vem preocupando os médicos.
O consumo excessivo de Omeprazol pela população foi assunto em um simpósio realizado no ano passado pelo Instituto Oncoguia onde Roberto Gomes, presidente da Federação das Sociedades de Cancerologia, criticou a banalização do medicamento e seu uso errôneo em substituição a antiácidos comuns e pastilhas. 

O uso indiscriminado de Omeprazol já foi associado ao desenvolvimento de adenocarcinomas de estômago (tipo mais comum de câncer de estômago) e a deficiência de ferro e magnésio aumentando a susceptibilidade a pneumonias, infecções entéricas, fraturas, entre outros.



  



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O uso de nanotecnologia a favor da medicina

Várias pessoas hoje nas redes sociais estão comentando sobre a matéria publicada no UOL no dia 16 de janeiro desse ano sobre uma estudante de 17 anos que descobriu a cura do câncer
De acordo com a matéria: "Conforme publicação do site Daily Mail, uma jovem de apenas 17 anos pode ter descoberto a cura para o câncer... O projeto da jovem consiste na utilização de nanopartículas para identificar as células cancerígenas, as quais podem ser enviadas ao centro dos tumores quando combinadas com uma droga à base de salinomicina. Depois de terem se “prendido” às células doentes, através de ressonâncias magnéticas, essas nanopartículas permitem que os médicos saibam exatamente onde estão ou poderão se formar os tumores."


Acontece que o que essa jovem descobriu já não é assim tão novo. A nanotecnologia já vem sendo estudada como opção de tratamento ao câncer há muito tempo. Existem estudos no mundo tudo, inclusive no Brasil.


O próprio site UOl publicou em 2009 um artigo, originalmente publicado na Scientific American, com o título Namomedicina no tratamento do câncer . No artigo os autores (James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood) dizem que: "Certos tratamentos para o câncer, que agora estão sendo considerados como nanopartículas, já existem há algum tempo e ilustram algumas vantagens básicas dessas partículas para se atingir células tumorais, enquanto minimizam os efeitos nos tecidos sadios. A doxorrubicina lipossomal, por exemplo, é um composto quimioterápico tradicional, dentro de uma cápsula de lipídeo, que tem sido usado para o tratamento do câncer ovariano e do mieloma múltiplo. A versão da droga revestida por lipídio apresenta muito menos toxicidade para o coração que a doxorrubicina sem revestimento, embora um novo efeito colateral tenha sido observado, a toxicidade da pele.
Novas nanopartículas, como por exemplo a IT- 101, que já passaram pela fase I dos testes clínicos de segurança para humanos, apresentam maior complexidade que lhes confere múltiplas funções. A IT-101 é uma partícula de 30 nm, formada por polímeros unidos à pequena molécula de camptotecina, que é muito semelhante a duas drogas quimioterápicas aprovadas pelo FDA (Food and Drug Administration): irinotecan e topotecan."

Em 2010 a revista IstoÉ publicou uma matéria que fala sobre o uso da nanoteconologia. O artigo mostra o uso de nanotecnologia em outras terapias, não só no câncer, como diabetes Leishmaniose e entupimento de vasos sanguíneos além de mostrar vários estudos sobre o assunto. 

Em 2005 já se falava sobre o assunto e vários estudos já estavam em andamento como pode ser visto no site Inovação Tecnológica.

A ideia desse post não é de forma alguma desmecerer o estudo ou tirar os créditos da jovem, mas sim mostrar que não se pode acreditar em tudo aquilo que se lê por ai. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Paracetamol

Ficha Técnica
Nome: Tylenol
Nome genérico (principio ativo): Paracetamol ou Acetaminofeno
Classificação: Analgésico / antipirético
Apresentação: Comprimidos revestidos 500mg; uso oral; caixa com 200 comprimidos
                         Comprimidos revestidos 750mg; uso oral, caixa com 20 ou 200 comprimidos
                         Suspensão oral concentrada 100mg/ml; uso oral; frasco com 15ml (Tylenol Bebê)
                         Suspensão oral; 32mg/ml; uso oral; frasco com 60ml (Tylenol Criança)
                         Solução oral 200mg/ml; uso oral; frasco com 15ml
                         Comprimidos revestido 500mg paracetamol + 32mg cafeína; uso oral; caixa com 20 ou 100 comprimidos 
Fabricante: Johnson & Johnson 

Ao contrário do que muitos pensam o Paracetamol não possui nenhuma propriedade antiinflamatória!
Em 2003 foi apontado como a principal causa de insuficiência hepática nos Estados Unidos. 
A FDA (Food and Drug Administration), nos EUA, equivalente à ANVISA, no Brasil: anunciou "em 13/01/2011 que obrigará as indústrias farmacêuticas a produzirem produtos que contenham paracetamol com um limite máximo de 325 mg (migrogramas) por comprimido, cápsula ou outro tipo de unidade da dose. A FDA acredita que limitar a quantidade de paracetamol por unidade prescrita pode reduzir o risco de lesão grave ao fígado por dosagem excessiva de paracetamol, um evento adverso que pode levar à falência do fígado, transplante de fígado e morte."

Paracetamol e Ressaca
Segundo o toxicologista Anthony Wong, do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas, a velha prática de tomar um comprimido com paracetamol em dias de ressaca para combater a dor de cabeça deve ser completamente abolida da vida das pessoas. "Não se pode tomar um porre e depois tomar paracetamol, pois pode causar lesão hepática fulminante mesmo em doses menores do que 20 comprimidos. Também não pode tomar aspirina, porque ela aumenta o sangramento gástrico."
Para Anthony Wong, a pesquisa  divulgada pela revista científica New Scientist, em 2003 veio numa boa hora. "É importante e muito bem-vindo o alerta, porque os americanos e principalmente os brasileiros tomam remédios como se fossem 'M&Ms'. Não pode." Ele contou que nos Estados Unidos, além da morte causada por falência hepática, o paracetamol é a principal causa de morte por intoxicação de todos os remédios que existem no país."

Tylenol e Diabetes
Tylenol deve ser usado com cautela por pacientes diabéticos pois em todas as suas apresentações contêm açúcar! 
Antes de fazer uso de outros medicamentos contendo paracetamol portadores de diabetes devem verificar os demais componentes da fórmula.

Paracetamol e Dengue
Paracetamol é contra indicado em caso de suspeita de dengue por causar efeitos no fígado!

Interações Medicamentosas
O uso de contraceptivos orais diminuem o efeito terapêutico do Paracetamol.
Fenobarbital e Isoniazida aumentam os efeitos hepatotóxicos do Paracetamol.
Rifampicina diminui o efeito analgésico do Paracetamol.
Anticoagulantes cumarínicos tem seu efeito aumentado com o uso concomitante de Paracetamol.
A administração concomitante de Paracetamol com qualquer outro medicamentos que seja hepatotóxico deve ser evitada.
A administração de Paracetamol juntamente com alimentos retarda a absorção do medicamento.

As lesões no fígado causadas por Paracetamol podem ser irreversíveis e ocorrem de forma muito rápida, em um prazo de 12 horas após uma ingestão excessiva do medicamento o fígado já se encontra comprometido. Por esse motivo ao suspeitarem de intoxicação por Paracetamol, principalmente em crianças em que a mãe não tem certeza da dose administrada, os médicos começam o tratamento com o antídoto e depois de exames de dose do medicamento suspendem ou continuam com o tratamento de acordo com a necessidade.
O pouco tempo entre a ingestão excessiva e os danos ao fígado é o principal motivo para que os médicos recomendem que não se use paracetamol juntamente com medicamentos antigripais. Os antigripais em sua maioria contêm Paracetamol na fórmula. Não se deve ingerir mais de 4g de Paracetamol por dia para adultos e 75mg/Kg para crianças!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Clonazepam

Hoje tem inicio no blog uma série de posts sobre medicamentos. 
2 Gotinhas de Rivotril vai selecionar os medicamentos mais usados e falar sobre indicação, interações, mecanismo de ação e dar algumas dicas para conseguir melhorar a resposta aos medicamentos. 
Para começar nada melhor que falarmos do Rivotril!

Ficha Técnica:
Nome: Rivotril
Nome Genérico (principio ativo): Clonazepam
Classe terapêutica: Ansiolítico / anticonvulsivante
Apresentações: Comprimidos 0,5mg ou 2mg; caixa com 20 ou 30 comprimidos; uso oral.
                           Comprimidos sublinguais 0,25mg, caixa com 30 comprimidos; uso oral.
                           Gotas 2,5mg/ml; frasco com 20ml; uso oral. (1gota = 0,1mg).
Fabricante: Roche.

Há quase 40 anos no mercado em 2010 o Clonazepam foi o segundo medicamento mais consumido no Brasil, ficando atrás apenas do Microvilar, anticoncepcional que faz parte da lista de medicamentos distribuídos pelo SUS. Nesse mesmo ano o Brasil foi apontado como o maior consumidor mundial de Clonazepam. 

Clonazepam é um ansiolítico da família dos benzodiazepínicos, que possuem como principais propriedades inibição leve de várias funções do sistema nervoso central, permitindo, com isso, uma ação anticonvulsivante, alguma sedação, relaxamento muscular e efeito tranquilizante. 
É indicado para: 
* Distúrbio epiléptico: está indicado isoladamente ou como adjuvante no tratamento das crises epilépticas 
mioclônicas, acinéticas, ausências típicas (pequeno mal), ausências atípicas (síndrome de 
Lennox-Gastaut). Como medicação de segunda linha em espasmos infantis (síndrome de West). 
* Transtornos de ansiedade  
• Como ansiolítico em geral. 
• Distúrbio do pânico com ou sem agorafobia. 
• Fobia social.  
* Transtornos do humor 
• Transtorno afetivo bipolar: tratamento da mania. 
• Depressão maior: como adjuvante de antidepressivos (depressão ansiosa e na fase inicial de 
tratamento). 
* Emprego em síndromes psicóticas 
• Tratamento da acatisia. 
* Tratamento da síndrome das pernas inquietas
* Tratamento da vertigem e sintomas relacionados à perturbação do equilíbrio, como náuseas, 
vômitos, pré-síncopes ou síncopes, quedas, zumbidos, hipoacusia, hipersensibilidade a sons, 
hiperacusia, plenitude aural, distúrbio da atenção auditiva, diplacusia. 
* Tratamento da síndrome da boca ardente.
É contra-indicado para pacientes com glaucoma agudo de ângulo fechado e pacientes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, de deficiência de Lapp lactase ou de má absorção glicose/galactose. Não deve ser administrado por mulheres grávidas ou lactantes!!


Uma dose oral única  começa a ter efeito dentro de 30 a 60 minutos e continua eficaz por 6 a 8 horas em crianças e 8 a 12 horas em adultos. Deve ser administrado conforme orientação médica.
Os comprimido sublinguais devem permanecer sob a língua por no mínimo três minutos e não devem ser mastigados. As gotas não devem ser administradas direto na boca.
Se houver o esquecimento de administração de uma dose, essa nunca deve ser dobrada no próximo horário! O tratamento deve ser descontinuado de forma gradual, nunca abruptamente. 

Pode causar dependência física e psíquica, por esse motivo somente é vendido mediante receita médica que fica retida na farmácia. Em pacientes com histórico de abuso de álcool e drogas o risco de dependência é maior.
Não deve ser administrado concomitantemente com álcool pois os efeitos do Clonazepam são aumentados. Não deve ser administrado com sua de toranja pois aumenta a toxicidade do medicamento O uso concomitante com ácido valpróico pode causar estado epilético de pequeno mal.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Autotransplante de Medula Óssea

Hoje o ator Reynaldo Gianecchini se submeteu a um autotransplante de medula óssea como parte do seu tratamento contra um linfoma não Hodgkin de células T, o qual foi diagnosticado em agosto de 2011.
Este blog explica neste post para você o que é um autotransplante de medula óssea.  


O autotransplante é um recurso terapêutico que permite ao médico submeter o paciente a doses muito altas de quimioterapia sem destruir para sempre o sistema imune dele.


Sabe-se que o poder de destruição da quimio atinge não só a célula cancerosa, mas também as células que não estão doentes. Essa particularidade dos quimioterápicos faz com que tratar alguns cânceres seja uma tarefa complicada. Então, como fazer para bombardear as células doentes que estão misturadas às células normais no corpo do paciente? O transplante autólogo de medula óssea – é esse o nome dado pelos médicos ao autotransplante – é um dos recursos encontrados pela medicina para enfrentar esse problema.



“Nós guardamos uma quantidade de células-tronco da medula óssea do paciente, submetemos ele a altas doses de quimioterapia e depois recolocamos essas células no corpo dele” explica de forma bem didática a hematologista do HCPA.
Parece fácil? Não é mesmo. O autotransplante de medula óssea é um procedimento delicado e cheio de detalhes. Ele inicia com a preparação prévia do paciente com medicamentos para aumentar a quantidade de células-tronco circulando no sangue.
Quando exames de sangue apontam uma quantia suficiente, a pessoa é conectada a uma máquina que filtra o sangue, separando as células-tronco do restante e devolvendo o sangue para o corpo sem esses componentes, num processo chamado de aférese. As células-tronco são então armazenadas em uma bolsa e congeladas a temperaturas baixíssimas, num outro processo conhecido como criopreservação.
Só depois desse processo o paciente recebe a quimioterapia em doses extremamente altas. Dependendo da doença, do estado do paciente e do protocolo de tratamento usado, os médicos fazem uso da radioterapia junto com os quimioterápicos.
“É uma tentativa de limpar o organismo de células tumorais. O problema é que a dose é tão alta que afeta também a medula óssea” diz o hematologista Marcelo Bellesso, do Grupo de Linfomas Não-Hodgkin do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).
Sem a medula óssea funcionando, o corpo deixa de produzir plaquetas, as responsáveis pela coagulação sanguínea, glóbulos vermelhos (eles são responsáveis pelo transporte de oxigênio) e glóbulos brancos – as células de defesa do corpo.
“Com isso o paciente pode ter complicações graves, como queda da imunidade , anemia e risco mais alto de hemorragias”.
Depois desse intenso tratamento o paciente recebe de volta as células-tronco que estavam guardadas. Injetadas novamente na corrente sanguínea, elas estimulam a recuperação da medula, que pode voltar a funcionar em até 20 dias.
“Esse período de recuperação da medula exige isolamento do paciente, para evitar que ele pegue alguma infecção, já que está com o sistema imune extremamente frágil” diz a hematologista do HCPA.
É bom esclarecer que nem sempre o autotransplante cura a doença. Às vezes, dizem os especialistas, ele não é a melhor opção de tratamento ou mesmo a mais viável. Tudo vai depender do tipo de linfoma, do estágio em que está a doença e da forma como o paciente reage aos medicamentos que recebe antes que o autotransplante seja considerado como opção de tratamento.
“Existe uma gama enorme de linfomas. Só entre os linfomas não-Hodgkin existem aproximadamente 47 subtipos. São tumores muito heterogêneos entre si. Alguns são de crescimento lento (indolentes), outros de crescimento rápido (agressivos). Nem todos têm indicação de transplante” afirma Bellesse.
Assim esclareceu a hematologista Lucia Mariano da Rocha Silla, coordenadora do Programa de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Conjutivite

Chegou o verão e com ele, além da dengue, a conjutivite!
Nessa época do ano a doença é mais comum, em 2011 o estado de São Paulo teve um grande surto onde somente na cidade de São Paulo 119 mil casos foram registrados. 


Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular e o interior das pálpebras. O branco do olho (esclera) é coberto por uma película fina chamada conjuntiva, que produz muco para cobrir e lubrificar o olho. Normalmente, possui pequenos vasos sangüíneos em seu interior, que podem ser vistos através de uma observação mais rigorosa. Quando a conjuntiva se irrita ou inflama, os vasos sangüíneos que a abastecem alargam-se e tornam-se muito mais proeminentes, causando então a vermelhidão do olho. 
Em geral, acomete os dois olhos, pode durar de uma semana a 15 dias e não costuma deixar seqüelas.



Quando a conjuntivite aparece depois do contato com um agente químico, ela é chamada de conjuntivite irritativa. Já aquele tipo causado por pó ou perfume recebe o nome de alérgica. As duas variações da doença provocam principalmente vermelhidão e coceira, e não são transmitidas por contato. Ela pode ser ainda viral ou bacteriana, em geral mais graves e podendo ser transmitidas por contato. As virais são as que mais freqüentemente são causas de epidemias.
A contaminação do olho com bactérias ou vírus, se dá por transmissão dos mesmos pelas mãos (por manipulação do olho), por toalhas, cosméticos (particularmente maquiagem para os olhos) ou uso prolongado de lentes de contato. 

Os irritantes causadores de conjuntivite podem ser a poluição do ar, fumaça (cigarro), sabão, sabonetes, spray, maquiagens, cloro, produtos de limpeza, etc. 
Alguns indivíduos apresentam conjuntivite alérgica (sazonal), devido à alergia, principalmente a pólen e perfumes em spray. 



Em geral, a conjuntivite se caracteriza por ardência e coceira na região ocular, com sensação de corpo estranho (areia ou de ciscos) nos olhos, bem como um irritante lacrimejar, olhos vermelhos e sensíveis principalmente à claridade, e pálpebras inchadas. No caso da conjuntivite infecciosa, os olhos doem, além de secretarem um insistente líquido amarelado. Este tipo é, sem dúvida, o que mais aflige.

Infecções bacterianas, com estafilococos ou estreptococos, deixam o olho vermelho, associado a um montante considerável de secreção purulenta (pus). Uma consulta imediata a um oftalmologista é aconselhada. Por outro lado, outras infecções bacterianas são crônicas e podem produzir pouca ou mesmo nenhuma supuração, exceto um pequeno endurecimento dos cílios pela manhã.

Alguns vírus produzem a típica irritação dos olhos, dores de garganta e corrimento nasal, devido a um pequeno resfriado. Outros podem infectar apenas os olhos. As conjuntivites virais produzem geralmente duram de uma a duas semanas. 



Para combater uma epidemia é importante que as pessoas com conjuntivite, bem como as que não apresentam a infecção, tenham algumas informações que são úteis para a sua proteção e para evitar o contágio.

Para prevenir a transmissão, enquanto estiver doente, tome as seguintes precauções: 

• Lave com freqüência o rosto e as mãos uma vez que estas são veículos importantes para a transmissão de microorganismos. 
• Aumente a freqüência de troca de toalhas ou use toalhas de papel para enxugar o rosto e as mãos. 
• Não compartilhe toalhas de rosto. 
• Troque as fronhas dos travesseiros diariamente enquanto perdurar a crise. 
• Lave as mãos antes e depois do uso de colírios ou pomadas e, ao usá-los não encoste o bico do frasco no olho. 
• Não use lentes de contato enquanto estiver com conjuntivite, ou se estiver usando colírios ou pomadas. 
• Não compartilhe o uso de esponjas, rímel, delineadores ou de qualquer outro produto de beleza. 
• Evite coçar os olhos para diminuir a irritação. 
• Evite aglomerações ou freqüentar piscinas de academias ou clubes. 
• Evite a exposição a agentes irritantes (fumaça) e/ou alérgenos (pólen) que podem causar a conjuntivite. 

Para prevenir o contágio, tome as seguintes precauções: 

• Não use maquiagem de outras pessoas (e nem empreste as suas). 
• Use óculos de mergulho para nadar, ou óculos de proteção se você trabalha com produtos químicos. 
• Não use medicamentos (pomadas, colírios) sem prescrição (ou que foram indicados para outra pessoa). 
• Evite nadar em piscinas sem cloro ou em lagos. 

Todos estes cuidados devem ser verificados por pelo menos 15 dias desde o início dos sintomas nos indivíduos contaminados, já que durante este período as pessoas com conjuntivite podem ainda apresentar contágio, evitando repassá-la para outras pessoas. 



Na maioria dos casos de conjuntivite, os sintomas e a doença passam em 10 dias, sem que seja necessário qualquer tipo de tratamento. Medicações (pomadas ou colírios) podem ser recomendadas para acabar com a infecção, aliviar os sintomas da alergia e também diminuir o desconforto. Acima de tudo, não use medicamentos sem orientação médica. Alguns colírios são altamente contra-indicados porque podem provocar sérias complicações e agravar o quadro.

Para a conjuntivite viral não existem medicamentos específicos, sendo assim, cuidados especiais com a higiene ajudam a controlar o contágio e a evolução da doença.

Se você sabe que tem alergia ou intolerância a algum produto químico, mantenha-se longe dele, durante e depois da crise.

Para melhorar os sintomas, lave os olhos e faça compressas com água gelada, que deve ser filtrada e fervida, ou com soro fisiológico. 

E lembre-se: ao perceber alguma irritação, vermelhidão ou secreção anormal, procure imediatamente seu oftalmologista. Só ele pode indicar o melhor tratamento. 



Não se automedique, procure um médico, preferencialmente um oftalmologista, para fazer o diagnóstico correto e indicar o melhor tratamento.